Hemiparesia

Hemiparésia Espástica Diplégia

Quadro Clínico...

Colocado por Hemiparesia em 01 de Agosto de 2007

De acordo com Schwartzman (1993) e Souza & Ferraretto (1998), a PC pode ser classificada por dois critérios: pelo tipo de disfunção motora presente, ou seja, o quadro clínico resultante (classificação nosológica) e pela topografia dos prejuízos, ou seja, localização do corpo afectado (classificação topográfica).
Assim, dentro da classificação nosológica, a PC pode ser:

  • Espástica: A lesão localiza-se no córtex e vias daí provenientes, e como tal, o tónus muscular encontra-se aumentado, isto é, os músculos apresentam-se tensos e os reflexos exacerbados. É o quadro motor mais frequente (88% dos casos);
  • Atetose: Resultante de lesões dos núcleos situados no interior dos hemisférios cerebrais – Sistema Extra-Piramidal, caracteriza-se por presença de movimentos involuntários e variações na tonicidade muscular;
  • Ataxia: A lesão é ao nível do cerebelo ou vias cerebelosas, o que provoca um défice de equilíbrio, diminuição do tónus e incoordenção motora. A marcha das crianças com este quadro motor é caracterizada por um aumento da base de suporte, podendo apresentar um tremor intencional;
  • Mista: Ocorre quando a criança apresenta características dos vários quadros, apesar de ter predominância dum deles.

Relativamente à classificação topográfica, existem os seguintes quadros motores:

  • Tetraplegia: É o quadro mais frequente e caracteriza-se por uma afecção dos quatro membros, podendo um hemicorpo estar mais afectado que o outro. As crianças afectadas por este quadro motor, normalmente assumem uma posição de intensas retracções em semi-flexão, apresentam Síndrome Pseudobulbar (hipomimia, disfagia e disartria), podendo ocorrer ainda microcefalia, deficiência mental e epilepsia;
  • Triplegia: Três membros estão afectados (os membros inferiores e um membro superior);
  • Hemiplegia: Metade do corpo é afectado, podendo ou não incluir a face;
  • Diplegia: Os membros inferiores estão afectados, porém poderá existir um comprometimento menor dos membros superiores;
  • Monoplegia: Apenas um membro encontra-se afectado.

Nota:Plegia” remete para a perda completa de força muscular, enquanto que “parésia” indica perda parcial.
Além do distúrbio motor, obrigatório para a caracterização da paralisia cerebral, o quadro clínico pode incluir também outras manifestações associadas com frequência variável. Assim, como desordens associadas podemos encontrar as seguintes:

  • Atrofia muscular;
  • Distúrbios ortopédicos (por exemplo, retracções fibrotendinosas, cifoescoliose, deformidades nos pés);
  • Distúrbios do crescimento;
  • Disfunção do processamento sensorial;
  • Défices auditivos;
  • Défices visuais (por exemplo, estrabismo);
  • Défices cognitivos;
  • Distúrbios da comunicação;
  • Distúrbios da linguagem;
  • Atraso mental (A criança com PC pode ter um desenvolvimento intelectual retrógrado [devido não só às lesões cerebrais, mas também pela falta de experiência resultante das suas deficiências], normal ou superior ao normal. As alterações da face e deficiência na fala, devido ao descontrolo dos movimentos, podem aparentar um atraso mental que na realidade não existe);
  • Distúrbios do comportamento (São mais comuns nas crianças com inteligência normal, que se sentem frustradas pela sua limitação motora, quadro agravado em alguns casos pela protecção excessiva ou rejeição familiar);
  • Convulsão;
  • Epilepsia;
  • Nistagmo;
  • Doenças respiratórias.

Quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento (trato extrapiramidal), a criança apresenta movimentos involuntários (movimentos que estão fora de seu controle) e os movimentos voluntários estão prejudicados.

Esta condição é definida como paralisia cerebral com movimentos involuntários forma coreoatetósica ou distônica. O termo coreoatetose é usado para definir a associação de movimentos involuntários contínuos, uniformes e lentos (atetósicos) com movimentos rápidos, arrítmicos e de início súbito (coreicos). A criança com PC tipo distônica apresenta movimentos intermitentes de torção devido à contracção simultânea da musculatura agonista e antagonista, muitas vezes acometendo somente um lado do corpo.

Os movimentos involuntários podem ser leves ou acentuados e são raramente observados durante o primeiro ano de vida. Nas formas graves, antes desta idade a criança apresenta hipotonia e o desenvolvimento motor é bastante atrasado. Muitas crianças não são capazes de falar, andar ou realizar movimentos voluntários funcionais e são, portanto, dependentes para a alimentação, locomoção e higiene.