Dificuldades ao nível da sucção, tónus muscular diminuído, alterações da postura, atrasos no controlo postural da cabeça, na capacidade de sorrir e de rolar são sinais precoces que chamam a atenção para a necessidade de avaliações mais detalhadas, bem como, para a necessidade de acompanhamento neurológico.
A história clínica deve ser completa e o exame neurológico deve incluir a pesquisa dos reflexos primitivos (próprios do recém-nascido).
Reflexos são movimentos automáticos que o corpo faz em resposta a um estímulo específico. Nos primeiros meses de vida, a presença, intensidade e simetria dos reflexos podem ser usadas para avaliar a integridade do sistema nervoso central e para detectar anormalidades periféricas, como alterações musculo-esqueléticas congénitas ou lesões de plexos nervosos. Por outro lado, a persistência da maioria destes reflexos no segundo semestre de vida, também indica anormalidades no desenvolvimento; com a maturidade cerebral, as respostas automáticas típicas dos reflexos presentes nos primeiros tempos de vida são inibidas.
O reflexo primitivo mais conhecido é o Reflexo de Moro que pode ser descrito da seguinte forma: quando a criança é colocada deitada de costas numa mesa sobre a palma da mão de quem a examina, a brusca retirada da mão causa um movimento súbito da região cervical, o qual inicia uma resposta caracterizada inicialmente por abdução, abdução horizontal e extensão dos braços com as mãos abertas e de seguida por adução e adução horizontal dos braços. Apesar de ser o mais conhecido, este reflexo é apenas um de entre os vários usualmente pesquisados pelo pediatra ou fisioterapeuta.
Assim, os reflexos que podemos encontrar no bebé são:
Na observação clínica da PC, deve-se levar em consideração a extensão do distúrbio motor, a sua intensidade e, principalmente, a caracterização semiológica desse distúrbio.
Depois de colhida a história clínica e realizado o exame neurológico, o próximo passo é afastar a possibilidade de outras condições clínicas ou doenças que também evoluem com atraso do desenvolvimento neurológico ou alterações do movimento como as descritas anteriormente. Uma anamnese e um exame físico minuciosos devem eliminar a possibilidade de distúrbios progressivos do Sistema Nervoso Central, incluindo as doenças degenerativas, tumor da medula espinhal ou distrofia muscular.
Exames de laboratório (sangue e urina) ou neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) poderão ser indicados de acordo com a história e as alterações encontradas no exame neurológico. Estes exames, em muitas situações, esclarecem a causa da paralisia cerebral
ou podem confirmar o diagnóstico de outras doenças. Exames adicionais podem incluir testes das funções auditiva e visual.
O diagnóstico de PC usualmente envolve atraso no desenvolvimento motor, persistência de reflexos primitivos, presença de reflexos anormais e défices no desenvolvimento dos reflexos protectores (tal como a resposta de pára-quedas, caracterizada pela extensão dos braços como se a criança fosse apoiar-se e com isso apoio do corpo sobre os braços).